UMA HISTÓRIA, UM SONHO, UMA REALIDADE…

04/06/2009  9:08 pm

“Conclusão: essas empresas “informatizaram os próprios erros do passado”. Estão fazendo “preços errados muito mais rápido hoje do que há 20 anos”. Estão fazendo o cálculo do “PAPEL x 3” no computador”

Enquanto digito este texto, lembrei do último mapa de custos que fiz na “unha” em 1981 e pensei no “velho” microcomputador CP 500 que comprei em 1982. Visualizei os rascunhos do primeiro sistema CALCGRAF colados nas paredes da minha sala em 1983 e confesso que fiquei um pouco “atordoado” com tanta evolução em um tempo tão curto.
Até final de 1981, eu fazia os mapas de custo desenhados em papel milimetrado e os cálculos numa calculadora manual. (VEJA AS FOTOS ABAIXO)
Em 1982, com a chegada dos computadores pessoais no Brasil, passei a usar as planilhas eletrônicas: VISICALC, LOTUS 123, EXCEL 1, EXCEL 2 e até hoje na versão EXCEL 2007. O meu microcomputador era um CP 500 da Prológica e a impressora era uma matricial de 80 colunas com velocidade de 100 caracteres por segundo. Era fantástico fazer isto naquela época. A precisão, a flexibilidade e a economia de tempo eram consideráveis e a sensação de contribuir para a evolução do setor gráfico era muito agradável.
É curioso lembrar que a planilha VISICALC, lançada em 1979 nos USA e inventada por Dan Bricklin, foi a primeira planilha eletrônica para computadores, e é a tataravó do atual EXCEL. Esse aplicativo juntamente com os editores de texto foram, provavelmente, os que fizeram com que computadores pessoais deixassem de ser vistos como uma “brincadeira” para serem considerados uma ferramenta de grande utilidade no mundo dos negócios.
Nesta época só víamos fotos de fax, monitores coloridos, mouses e discos rígidos em revistas importadas onde líamos artigos sobre micros interligados em rede, ensaios com a internet, emails, etc.
Telefones celulares, CTP, arquivos digitais, PDF, torpedos, Google, Twitter, blogs, etc., eram coisas de ficção científica. Eram quase que inimagináveis.
Então, foi com estas ferramentas, junto com a nossa experiência e a credibilidade dos nossos clientes, que nasceram, bem no início de 1983, os rascunhos e testes do primeiro programa de gestão de custos e preços para a indústria gráfica, que mais tarde seria chamado de CALCGRAF.
Hoje, depois de mais de vinte e cinco anos, chegamos ao mundo virtual. O avanço tecnológico foi imenso e são incontáveis os recursos que a indústria gráfica tem a sua disposição. Os equipamentos ficaram muito mais informatizados, muito mais rápidos, muito mais produtivos. O fotolito e a fotocomposição deixaram espaço para os arquivos digitais PDF, os CTPs e os workflows. Também aumentou muito a qualidade da impressão e dos acabamentos gráficos, sem falar das matérias primas principais.

E OS SISTEMAS DE GESTÃO?

Eles também evoluíram para plataformas gráficas, redes locais e remotas, cálculos via internet, PCP em tempo real e muito mais. Tudo graças ao enorme avanço das ferramentas de desenvolvimento e ao esforço do pessoal que trabalha na área.
Metrics, CalcGraf, ECalc, Bremen, Zenith, Ciagraf, ExpressCalc, CalcPlus, PrintCalc e outras, são empresas que atuam nesta área e estão a disposição das empresas gráficas para demonstrações dos seus softwares e das suas formas de trabalhar. Cabe a você empresário definir qual é o que melhor se adapta a sua empresa. Pergunte exaustivamente pelo suporte oferecido. Conheça o portfólio deles e peça uma demonstração abrangente do sistema para a sua realidade.

E A EVOLUÇÃO DOS EMPRESÁRIOS?

Não vou fazer esta avaliação diretamente. O que constato no meu dia-a-dia de trabalho é o baixo nível de utilização destes sistemas por parte das empresas gráficas. É uma subutilização brutal. Acredito que de cada 100 empresas que utilizam algum tipo de sistema, 80 só utilizam de 20 a 30% da capacidade da ferramenta e somente 5% usam acima de 70% da capacidade.
Na maioria destas empresas o sistema foi implantado apenas porque era “BARATINHO” e para os “cálculos ficarem mais rápidos” alem de “passar a proposta para o cliente antes do concorrente”. A emissão da ordem de serviço já fica em um segundo plano e o resto é o RESTO. Os cadastros são mal feitos. As quebras de papel, de tinta e parâmetros de produção geralmente ficam fora da realidade. CUSTOS NEM SE FALA. Conclusão: essas empresas “informatizaram os próprios erros do passado”. Estão fazendo “preços errados muito mais rápido hoje do que há 20 anos”. Estão fazendo o cálculo do “PAPEL x 3” no computador.
Também fico com certa “saudades” dos calculistas do passado. Eles tinham um bom conhecimento técnico e planejavam melhor o cálculo de cada trabalho. A maioria dos calculistas digitadores de hoje, desconhece como o programa faz o fechamento do preço de venda.
Quais são os possíveis resultados desta falta de conhecimento? Sua empresa não tem poder de negociação, não existe gestão de custos, pois praticamente ninguém entende nada sobre os fundamentos da formação do preço de venda. Margem de contribuição então é um verdadeiro FIASCO. SEM COMENTÁRIOS.
Quero lembrar também do departamento de vendas e da gerência de produção. Não acredito que uma gráfica possa ter sucesso nos dias de hoje, sem comprometimento de todos nos conhecimentos, nas metas e nos resultados pretendidos.

VAMOS TESTAR? Envolva os calculistas, convide as pessoas da empresa que implantou o seu sistema e aproveite esta dica para aumentar o seu conhecimento sobre o assunto. PARTICIPE!

DICAS:

– Prepare um TESTE DE MÚLTIPLA ESCOLHA com uma dúzia de perguntas e cinco opções de resposta sobre composição do preço de venda, conceitos básicos de custos, lucro, fechamento e analise os resultados. Lembre-se que respostas inteligentes pedem perguntas inteligentes. PREPARE-SE! O resultado pode não ser muito interessante. FAÇA ISSO HOJE! Comece a repensar tudo que já foi feito e sinta a diferença.

– Assim como nos últimos 20 anos, qual será a próxima grande onda que vai mexer com o mercado e com as tecnologias que envolvem o nosso setor? Quando ela vai acontecer? Qual benefício você poderá tirar dela?

E enquanto procuro a melhor forma de concluir este texto, fico me lembrando do primeiro curso de custos que ministrei em 1972, do último mapa que fiz na “unha” em 1981, do CP 500 de 1982, dos rascunhos colados nas paredes da minha sala, do Visicalc, do Lotus 123, etc., etc… Vou pensando, pensando e me pergunto: para onde foi todo o esforço, o avanço tecnológico, a velocidade, a produtividade? Não encontro uma resposta que me satisfaça e a única coisa que tenho vontade de dizer é: DIRETORES, GERENTES, VENDEDORES, CALCULISTAS, CONSULTORES e IMPLANTADORES de sistemas… VAMOS ACORDAR! VAMOS MUDAR! VAMOS REPENSAR TUDO.

ÚLTIMO MAPA DE CUSTOS FEITO “NA UNHA” EM 1981

Publicado em  4 de junho de 2009 por José Ferrari em COMPORTAMENTO, CUSTOS, FOTOS, GRÁFICAS, NOTÍCIAS, TECNOLOGIA, VENDAS.

O futuro da indústria gráfica…

04/06/2009  1:50 pm

Gostei muito deste texto do MARIO CÉSAR CAMARGO presidente do SINDGRAF/SP. Vale a pena ler e pensar sobre cada ítem proposto no texto.

Certa feita, ao desmentir uma notícia sobre seu hipotético falecimento, disparou: “As notícias sobre minha morte foram extremamente exageradas”. Talvez algo semelhante aconteça com a indústria gráfica, cujo féretro tem sido anunciado, principalmente por veículos impressos, há quase meio século. Pinkus Jaspert, jornalista especializado em indústria gráfica, preconizou, em 1976, que o leríamos o New York Times somente em tela já a partir do ano 2000.

Quando presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), alertei a diversos públicos empresariais que alguns produtos da indústria gráfica pereceriam. A nota fiscal impressa era um deles. Fruto de uma relação incestuosa entre controle fiscal, cobiça arrecadatória e aceleração das informações, era previsível que os sistemas eletrônicos integrados atropelariam a nota fiscal “arcaica”.

Todavia, há produtos gráficos com uma sobrevida considerável, principalmente nos países emergentes. Consideremos apenas alguns dados recentes:

1) Enquanto a demanda por jornais nos EUA cai sucessivamente, o Instituto Verificador de Circulação (IVC) emitiu no início do ano o relatório de tiragens no Brasil em 2008, apresentando um acréscimo de 5% na circulação média diária;

2) Segundo dados da Abigraf e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor da produção setorial em 2008 ultrapassou aproximadamente US$ 13,2 bilhões. No período de oito anos, entre 2000 e 2008, o contingente de colaboradores no setor saltou de 168 mil para 204 mil, de acordo com o Ministério do Trabalho;

3) Estudo publicado pelo Rochester Institute of Technology revelou que, entre 1998 e 2020, os EUA passarão de 61,6 milhões para 75,9 milhões de toneladas/ano de consumo de papel. Há encolhimento de demanda prevista em vários segmentos, como periódicos, jornais, livros, catálogos e manuais. Por outro lado, há incrementos significativos em embalagem, promoção e papel cortado.

A ameaça à indústria gráfica tem fundamento. Quando a Sony lança uma tela flexível que simula a portabilidade do papel, é insensato desprezar o avanço tecnológico que já obsoletou produtos gráficos. Mas, ao mesmo tempo, cabe questionar quantos leitores dos BRICs (grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia e China) poderão pagar os US$ 359,00 do livro eletrônico Kindle 2, apresentado pela Amazon no dia 9 de fevereiro último?

Como será, então, essa gráfica do futuro? Algumas das características de empresas gráficas do futuro, garantindo longevidade, adaptabilidade e geração de valor ao negócio, serão:

1)Eficiência absoluta: nossa indústria ainda é altamente ineficiente, em termos de perdas e geração de valor “per capita”. O faturamento médio por funcionário da gráfica brasileira é de US$ 50 mil anuais, relativamente baixo comparado a outras indústrias;

2) Especialização notória: como se distinguir como líder no share of mind do seu cliente, quando há 20 mil concorrentes? A especialização, o controle de processo e a liderança de determinado segmento são ferramentas indispensáveis para a sobrevivência;

3) Agregação de valor: o destino da indústria madura — e a indústria gráfica é uma senhora de 550 anos — é a “comoditização” dos serviços e rebaixamento dos preços. As gráficas do futuro deverão identificar oportunidades de agregar serviços a partir da visão do cliente, não da sua própria;

4) Flexibilidade: gráfico tem os olhos voltados para seu próprio umbigo. Empresários com máquinas offset desconsideram impressão digital. Além disso, produtos plásticos impressos não são considerados gráficos, no sentido tradicional. Não me consta que a Nokia, uma empresa centenária, tenha fabricado telefones celulares desde sua fundação.

No fundo, tais características valem para toda empresa que pretenda sobreviver, não somente as gráficas. Enquanto isso, continuaremos a ler sobre a morte anunciada das impressões sobre papel, exatamente nos moldes dos proclamas funéreos de Mark Twain.

Por Mário César de Camargo, empresário gráfico, administrador de empresas e bacharel em Direito, é presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP).

LEIA O TEXTO ORIGINAL AQUI

Publicado em  4 de junho de 2009 por José Ferrari em COMPORTAMENTO, CUSTOS, GRÁFICAS, NOTÍCIAS, TECNOLOGIA, VENDAS.

ISS ou ICMS na Indústria Gráfica? – A SAGA CONTINUA…

03/06/2009  1:16 pm

ISS e ICMS se acumulam sobre serviços gráficos
Por Roberta Borella Marcucci

Os trabalhos de composição gráfica que envolvam o fornecimento de mercadorias e de serviços, tais como embalagens e outdoors, desde que personalizados e feitos sob encomenda não podem ser alvo de tributação por parte do fisco estadual através do Imposto Estadual sobre Operações de Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação.

Apesar de jurisprudência neste sentido, as Fazendas estaduais continuam cobrando indevidamente o recolhimento de impostos de gráficas, gerando prejuízos para os empresários já tão sobrecarregados de impostos e outros encargos oficiais.

A discussão é relevante porque este tipo de prestação, onde há fornecimento de mercadorias e de serviços é legalmente fato gerador de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, tributo este de competência municipal. Assim, quando o estado cobra o ICMS, temos uma bitributação sobre o fato gerador, o que pode ocasionar prejuízos aos empresários desatentos.

A Lei Complementar 116/03, em seu artigo 1º estabeleceu como fato gerador do ISSQN: “A ocorrência de prestação de serviços constantes na lista anexa da própria lei”. Interessante também é à disposição do parágrafo 2º do mesmo artigo: “Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.”

Entretanto, apesar da expressa vedação da cobrança do ICMS concomitantemente ao ISSQN, o fisco estadual, de maneira supostamente despretensiosa, vem autuando as gráficas visando o recebimento do ICMS relativo àquelas operações que combinam fornecimento de mercadorias e serviços com o oferecimento de embalagens.

Em respeito à Súmula 156 do STJ, a prestação de serviço de composição gráfica personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita apenas ao ISSQN. Não obstante, a Lei Complementar 116/03 já havia determinado em sua lista exaustiva os fatos geradores do ISSQN, incluindo-se aí serviços de composição gráfica.

Visto isso, apesar de obviamente determinado por instrumento legal, que nestes casos ocorreriam fatos geradores do ISSQN, as inúmeras autuações da fiscalização estadual geraram diversos recursos de natureza especial para o Superior Tribunal de Justiça, motivo pelo qual a 1ª Seção julgou o caso como recurso repetitivo. Agora as demais decisões estarão vinculadas àquela que determinou que nos casos de operações em que sejam fornecidas mercadorias e concomitantemente serviços, haverá incidência de ISS e não de ICMS, colocando fim de uma contenda que já perdurava a tempos.

Da análise jurisprudencial, seja no âmbito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais ou do Superior Tribunal de Justiça os julgados são unânimes no sentido de que nos casos de composição gráfica em que haja prestação de serviços e fornecimento de mercadorias sob encomenda, tais como elaboração de embalagens, há incidência de ISSQN e não de ICMS frente à Súmula 156 do STJ.

Intrigante, porém, é que as fazendas estaduais, na ânsia de arrecadar, continuam a executar supostos fatos geradores do ICMS, de forma a ignorar o teor da súmula e a jurisprudência atual, alegando que apenas composição gráfica em seu sentido mais estrito é fato gerador de ISS, sendo que nos demais casos deverá haver incidência de ICMS.

A alegação fazendária não faz sentido já que a composição gráfica pode se dar de inúmeras formas, sendo difícil qualificar quando seria caso de incidência de ICMS ou de ISS, de forma que com amparo na súmula 156 STJ, para que o serviço de composição gráfica seja fato gerador do ISS e não do ICMS, ele deverá ser personalizado e sob encomenda. Alguns julgados trazem o significado dessas expressões:

“Sujeita-se ao ISS (art. 156, III, da CF) a confecção e o fornecimento de impressos gráficos ‘personalizados’, identificados como sendo aqueles que contenham o nome do respectivo encomendante, e desde que por este não sejam destinados a circular economicamente, tais como cartões de visita, talonários de notas fiscais, papéis timbrados, talões de cheques, convites, calendários e agendas.” (Apelação Cível nº 1.0027.04.005758-3/002).

Sendo assim, os empresários do ramo devem se atentar para o fato de que podem estar sendo cobrados em duplicidade pelas fazendas estadual e municipal, já que o mesmo fato gerador, ou seja, o serviço de composição gráfica tem sido passível de incidência segundo o fisco estadual, de ICMS, afirmação esta que é completamente descabida frente ao cenário jurisprudencial atual e ao texto legal em vigor.

LEIA O TEXTO ORIGINAL AQUI

Publicado em  3 de junho de 2009 por José Ferrari em CUSTOS, GRÁFICAS, NOTÍCIAS, VENDAS.