O Calombo & a Cultura Empresarial…

21/02/2012  11:55 am

“Era uma vez um mercador de tapetes que viu que o seu mais belo tapete tinhaum calombo no centro.

Ele pisou no calombo a fim de achatá-lo – e conseguiu. Mas o calombo reapareceu em outro lugar.

O mercador pisou-o mais uma vez, e o calombo desapareceu – apenas por um momento,  pois logo reapareceu em outro lugar.

O mercador continuou a pular sobre o tapete pisoteando com raiva, até que finalmente levantou a ponta do tapete e viu uma cobra sair debaixo dele.”(*)

 


Nestes vários anos como consultor, aprendi a perceber o poder da cultura empresarial. Esse poder é tão grande que “enfeitiça” as pessoas, transformando-as em soldados fiéis – kamikazes da batalha empresarial – ou em “zumbis”, sem razão ou emoção.

Aprendi que a cultura empresarial é sempre responsável pelo que acontece de bom e de ruim nas empresas. Ao tentar implementar qualquer mudança, logo ouvimos:

– Não vai dar certo…

 

– Não tem verba para isso…

 

– Já vi esse filme antes…

 

– Aqui!? Não muda nada…

 

– Com esse chefe que nós temos! Hummm!

São comportamentos suficientes para minar os esforços de mudança de qualquer organização. Quando uma mudança dá certo, o mérito é do “grande chefe” que teve determinação, coragem e visão. Quando não dá, é a cultura que não permitiu.

Mas o que é cultura empresarial? O que é “esse animal” senão as conseqüências do estilo e da forma como a empresa é administrada? E quem administra? É o dono, as lideranças, os funcionários. Todos no mesmo barco fazendo a cultura da empresa. Querem mudar, mas dizem que a cultura – que eles cultivam – não permite. Então, pode-se concluir que eles, na verdade, não querem mudar… Ou não querem sair de suas “zonas de conforto”.

Creio que existem algumas razões autênticas para tais comportamentos muito comuns nas organizações:

Primeiro: A velha hierarquia do poder.

Com muitos séculos de idade a estrutura hierárquica nos submete a uma condição de inferioridade, subordinação, manipulação e submissão; e não há nada mais que brilhe aos olhos de um indivíduo do que o sentimento de poder sobre alguém. Shakespeare falou: “Dê poder ao homem e descobrirás quem realmente ele é”. Parece que não, mas a regra ainda é: Manda quem pode obedece quem tem juízo. Investimos milhares de reais em treinamento de liderança para os chefes para dar-lhes autonomia, mas, na prática, os resultados são quase ridículos.

Competência não se compra. Se adquire com autoconhecimento, habilidades pessoais, experimentação, observação, estudos e pesquisas; errando e acertando.

Segundo: A incompatibilidade de interesses.

Do “dono da empresa” tem-se a imagem de egoísta, voltado somente para o lucro, que demite por prazer e tem atitudes impessoais e antipáticas. Geralmente os executivos são reprodutores deste modelo.

Os funcionários, alimentados por ideologias sindicais ultrapassadas, têm a imagem dos empresários como tubarões à espreita, prontos para tirar-lhes algo. A história tem demonstrado isso ao longo do tempo. Esse comportamento de arrogância do “patrão” e de submissão dos funcionários tem passado de pai para filho. Se você, leitor, quer comprovar esse fato, observe como o pessoal mais jovem se dirige a um chefe. Essa incompatibilidade tem diminuído, mas a passos muito lentos.

De qualquer forma, ainda é um fator inibidor para o estabelecimento de uma cultura empresarial mais inteligente e saudável.

Terceiro: A comunicação precária é grande vilã do cenário empresarial.

Pesquisas revelam que 90% dos problemas de uma empresa são provocados por falhas na comunicação. Jornais, murais, videoconferências, e-mails, intranet, extranet e internet são excelentes recursos de comunicação, mas o verdadeiro veículo é o indivíduo. São os diretores, as pessoas, os líderes. Se gasta muito dinheiro em veículos de

comunicação impressa e virtual, e quase nada no “veículo humano”. Os espaços vazios deixados pela comunicação institucional são ocupados por boatos e fofocas que tiram a energia das pessoas. Perde-se muito tempo querendo saber coisas do próprio trabalho – para fazer melhor – ou do próximo a ser demitido. Quando a comunicação não está presente, as pessoas enchem suas mentes com fantasmas, desviando a atenção para o que não importa. A comunicação, quando bem trabalhada, é um fator por excelência de produtividade. Mas continuamos fazendo o jornalzinho e colando papéis com textos formais nos quadros de aviso, alheios ao que realmente se passa na empresa.

Quarto:

São os processos e as tecnologias de trabalho indefinidos ou confusos, as responsabilidades pouco claras, são fatores de stress e retrabalho para todos os funcionários. A vida útil – emocional – das pessoas que trabalham num ambiente deste tipo é curta. É como uma bateria sem recarga. Acabou, trocou. A única saída destas empresas é aumentar a rotatividade do pessoal e com isto todos os custos decorrentes. Esta é a maneira mais rápida de matar um negócio a médio ou longo prazo.

Cultura empresarial é coisa séria pois as neuroses e pressões da vida moderna são levadas para dentro das empresas e, nesses ambientes, são exercitados os jogos territoriais. Uma “cultura” fértil para situações de submissão, agressividade, desconfiança, rebeldia, conflitos – característicos de “ambientes contaminados” de trabalho – que minam a energia e a produtividade das pessoas. A sobrevivência dos empregos passa a ser prioridade número UM das pessoas.

Levantando a ponta do tapete.

Para corrigir algumas destas distorções, sugiro que façamos uma reflexão sobre os itens abaixo:

• Clareza de objetivos

Em que grau a empresa tem seus objetivos claros, definidos, formalmente para médio e longo prazo? Esses objetivos devem ser revistos semanalmente se for o caso.

• Integração e comunicação

Com que clareza esses objetivos são comunicados e qual o nível de comprometimento existente?

• Estrutura organizacional

Nossa estrutura organizacional facilita a coordenação de ações, esforços e a realização dos objetivos e das estratégias?

• Qualidade da decisão

Em que medida na nossa hierarquia as decisões são tomadas e com que velocidade?

• “Drive”

Nossa empresa é dinâmica, está atenta às mudanças, tem senso de oportunidade, estabelece objetivos arrojados e cria um ambiente motivador?

• Relacionamento com clientes

Qual é o nível de satisfação dos nossos clientes com os serviços que oferecemos?

• Concorrência

Qual o nível de informação e conhecimento que temos sobre nossos concorrentes?

• Desempenho profissional

O quanto o trabalho é estimulante para os funcionários e oferece desafios profissionais?

• Aprendizado

Nossa empresa estimula e proporciona oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional para os funcionários?

Um grande avanço para a transformação é reconhecer que a gestão da cultura organizacional é responsabilidade de todos e que ela é capaz de superar barreiras físicas e psicológicas. Também é capaz de perpetuar a empresa e, principalmente, facilitar o alinhamento dos interesses.

Gastamos muita energia nos envolvendo com situações de insatisfação, desmotivação, desencontros, conflitos não resolvidos, jogos de poder; quando deveríamos estar concentrados naquilo que realmente importa: A SINERGIA VOLTADA PARA RESULTADOS, QUALIDADE DE VIDA – FOCO!

Radicalizando, poderíamos dizer que quando se trata de cultura e clima organizacionais não existe meio termo. É cada vez mais difícil para uma empresa navegar em águas turbulentas junto com algumas pessoas que “parecem remar contra”. Isto atrasa o nosso ritmo e o que mais precisamos nos dias de hoje é de velocidade e competência. Quando nos mobilizamos para resultados mais superiores natural e sutilmente, separaremos o “joio do trigo”.

COMECE AGORA A LEVANTAR A PONTA DO TAPETE ou é melhor você ir “plantar bananeira na praia”.

(*) Texto do livro “A Quinta Disciplina” – Peter Senge


 

Publicado em  21 de Fevereiro de 2012 por José Ferrari em COMPORTAMENTO, CUSTOS, GRÁFICAS, NOTÍCIAS, VENDAS.

Brasil já importa até livro didático…

21/02/2012  11:43 am

Custo de produção local leva o País a ampliar compras de países como China e Índia, com prejuízos para o emprego no setor gráfico

 


O avanço das importações chegou ao mercado de livros didáticos. Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile.
Em 2011, editoras que fornecem material para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal, ampliaram em quase 70% as encomendas no exterior, estimam empresários da indústria gráfica. Os motivos são o câmbio e o custo Brasil.
Principal cliente para as gráficas do segmento editorial, o governo responde por 24,4% das compras de livros no País, que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. No ano passado, o governo fez uma compra recorde de 170 milhões de livros didáticos para o ano letivo de 2012.
Segundo Fabio Arruda Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), as editoras foram às compras no exterior, com base no argumento de que as gráficas editoriais brasileiras não teriam condições de entregar todas as encomendas dentro dos prazos estabelecidos nos editais.
A consequência disso foi que boa parte das gráficas trabalhou com alguma ociosidade a partir do segundo semestre de 2011, período em que elas costumam rodar livros didáticos. Em dezembro, representantes dos empresários e dos trabalhadores foram ao Ministério da Educação expor a preocupação com o crescimento nas importações.
“Já estamos perdendo empregos”, diz o presidente da Abigraf. A indústria gráfica investiu US$ 5 bilhões no Brasil nos últimos quatro anos. Um empresário paulista, que pediu para não ser identificado, conta que demitiu 300 empregados nos últimos dois meses, o equivalente a 25% no quadro de pessoal. Além disso, engavetou um projeto de investimento US$ 20 milhões previsto para este ano. “Eu estava comprando uma máquina de 64 páginas e agora não tenho mais condições”, diz o empresário.
O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Wanderley Dias de Freitas, que participou de uma das reuniões com empresários e trabalhadores do setor, disse ao Estado que o órgão não tem informações diretas sobre aumento nas importações de livros didáticos.
Custo. “A relação de contrato do CNDL é com as editoras e a impressão do livro didático não é uma questão nossa”, argumentou Freitas. “Se a editora vai fazer a impressão no Brasil, na China, na Europa ou na América do Sul, é um problema dela.”
O avanço das importações não aparece nas estatísticas oficiais porque não existe posição aduaneira específica para o livro didático. Mas a indústria gráfica tem algumas sinalizações sobre o tamanho da encrenca. Uma delas é que, até 2010, as importações de livros medidas em dólares e em toneladas caminhavam praticamente juntas. No ano passado, porém, a quantidade de títulos do exterior saltou 62%, para 31,1 mil toneladas, enquanto o crescimento em valor foi de apenas 27%, para R$ 175,8 milhões.
Na avaliação dos empresários do setor gráfico editorial, o descolamento se deve a um forte aumento na compra de livros didáticos, que custam bem menos que a grande maioria dos livros importados pelo País.
A presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, prefere não tomar partido no debate. Ela fez questão de ressaltar que a entidade defende os valores éticos do mercado, mas não interfere nas questões comerciais das editoras.
“Gostaríamos que houvesse menos importações em todos os segmentos, não só o livreiro, para o bem do desenvolvimento do Brasil”. E acrescenta: “Sabemos que os editores estão buscando a possibilidade de impressão em outros países porque o custo Brasil é prejudicial nesse momento à produção nacional”.

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Publicado em  21 de Fevereiro de 2012 por José Ferrari em COMPORTAMENTO, CUSTOS, GRÁFICAS, LIVROS, NOTÍCIAS, TECNOLOGIA, VENDAS.